segunda-feira, 25 de junho de 2007

Inti Raymi





O Inti Raymi (festa do sol) é um dos maiores legados Incas ao povo peruano. Esta foi a mais importante de suas festas, celebrada por ocasião do solstício de inverno - o ano novo solar para um povo que dominava a astrologia e cujo principal objeto de culto era o deus Inti (deus sol). A festa acontece todos os anos no dia 24 de junho, mas nem sempre foi assim.

Após a conquista dos espanhóis (extermínio, na verdade) a cerimônia foi suprimida pela igreja católica e a sociedade andina que participava do festejo foi simplesmente dizimada. Por conta da evangelização promovida pelos colonizadores a festa perdeu-se no tempo, sendo atrolepada pela cultura dos europeus e recuperada pelos cusquenhos em meados do século XX quando, como expressão de um forte movimento de revaloração da cultura nativa do Peru, a celebração voltou a colorir as ruas de Cusco.

Encabeçados por Humberto Vidal, intelectuais e artistas cusquenhos decidiram recuperar o Inti Raymi do esquecimento e apresentá-lo ao povo de Cusco como um belo espetáculo teatral e, sem muita demora, caiu nas graças de pessoas das mais diversas culturas. O tom pluricultural da festa não se deve apenas a abertura aos não nativos, pois nos desfiles que acontecem dias antes do Inti Raymi (ver fotos nos posts 1 e 2), onde participam “blocos” de estudantes, marciais, instituições etc, cada um deles têm características próprias, coreografias e trajes distintos, embora sempre ricos em cores, e, com a liberdade interpretativa que o teatro sugere, o que se vê ao fim de um dia de desfiles é uma grande mistura de idéias que se amarram a grandeza do Inti Raymi.

Um dos resultados da tradição oral dos Incas – a escrita foi uma das poucas coisas que eles não chegaram a desenvolver - é a riqueza mitológica desta cultura. A crença por trás do Inti Raymi é que, com a ajuda de seus sacerdotes, os Incas clamavam ao deus Inti (deus sol), assim que este chegava ao seu ponto de maior distância no céu, a voltar a cidade de Cusco para, com seus raios, fecundar a terra para que jamais existisse a fome e trazer bem-estar aos filhos do império Tahuantisuyo, que se extendia do norte do Equador a região central do Chile.

A festa recebe anualmente uma quantidade incalculável de visitantes. Como nem todos pagam pela entrada do evento é impossível calcular o número exato de pessoas. Mas o certo é que, sendo nativo ou não, a explosão de cores do Inti Raymi nos leva a um tempo muito distante, que nos aproxima um pouco mais desta cultura viva e sofisticada elaborada pelos mais de 12 milhões de indivíduos Incas a mais de 500 anos. O apelo turístico por trás do Inti Raymi também é grande, pois Cusco, durante todo o ano, é parada obrigatória a quem visita a região altiplana. Mas isso não tira o charme da antiga capital do império Inca, pelo contrário: a multidão de visitantes que se espremem nas suas ruelas é um elemento complementar a fantástica “capital arqueológica da América”.

Tentei postar videos só do Inti Raymi, mas estao grandes e o youtube nao esta aceitando...