sábado, 23 de junho de 2007

Cusco 01









Os vôos não atrasaram mas os ônibus bolivianos...
De Cochabamba (Bolívia) a Cusco (Peru), passando por La Paz, o atraso foi de 9 horas. Minha intenção era chegar a Cusco ainda de tarde para pegar algum movimento na cidade, mas tudo que me esperava, às 03h, era um frio aterrorizante e um silêncio perturbador. Nem táxis havia. Éramos uns 25 e nos revezamos a medida que os táxis, preguiçosamente, apareciam. Estou no hostal (albergue) que era de um dos donos do hostal onde eu, Padim e Fábio estivemos em março e chegar aqui de madrugada foi bom demais. A porta estava fechada, o que implicou em mais uns minutos de tremedeira no frio inverno peruano, mas a sensação de pisar de novo nesta cidade linda compensa isso tudo. Aberta a porta, subi e dei de cara com Rafo, o dono, e demos várias palas. Na sala, 5 Israelenses, 1 chinês, 1 brasileiro e duas canadenses se esparramavam no sofá que fica de frente para a TV. Assistiam a um filme qualquer enquanto eu atravessei, com a minha mochila, um mar de caixas de pizza espalhadas pelo chão. Curti o ambiente de cara. Rafo me colocou num quarto com cama de casal e banheiro e me cobrou um terço do que está cobrando, nada mal. Cansado, tomei um banho, coloquei uma roupa bem pesada e cai na cama. Pouco depois reacendo a luz: o barulho de risadas e dos copos sempre cheios de vinho era mais alto que o meu grau de cansaço. Abri a porta e caminhei até o sofá. Fui dormir bem depois, já bêbado e feliz da vida com os novos contatos. Definitivamente isto me faz bem. Acordei já na hora do almoço e fui a uma pizzaria (aquela mesma, Fabim) com duas israelenses, que depois foram visitar ruínas enquanto eu fui andar pela cidade, curtir uma nostalgia boa e solitária no Quéchua Hostal, local onde fiquei da primeira vez e que está longe de ser o que era. Pretendo ficar assim, sem pressa nenhuma, até domingo, dia do Inti Raymi (festa do sol, herança direta dos Incas ao povo peruano, que nesta data faz uma celebração ao sol em uma das várias ruínas próximas a Cusco). Já que nem os motoristas de ônibus - que teoricamente precisam cumprir horários – parecem ter pressa, não serei eu a tê-la agora, né?