O Sol apareceu sem qualquer cerimônia na manhã de hoje. Nas ruas, passos retos e acelerados nas sinuosas ruelas do bairro de San Blas. Do alto da torre direita da Catedral, Maria Angola, a maior e mais antiga das campanas, cantava, às 10h, na única língua comum entre todos peruanos. “O dia já começara bem” lembrei mais tarde, quando o astro já se escondia entre as montanhas que abraçam Cusco. Durante o almoço percebo uma movimentação na pequena praça em frente a Igreja de San Francisco: um grande número de pessoas, a maioria de origem quéchua, comemorava a resolução que institui a obrigatoriedade do ensino da língua quéchua nas escolas. Na TV o destaque não foi grande mas nas ruas percebia-se a importância da vitória. Os quéchua são a maioria indígena do país e a medida não é só um passo para unir algumas diferenças é, também, uma forma de prestar uma necessária homenagem à riqueza desta cultura. Há alguns anos algumas das ruas de Cusco, que tinham nome em espanhol, receberam novos nomes, em quéchua, como início deste processo de resgate. Pouco mais tarde, depois da siesta, o orgulho peruano recebeu outra injeção de ânimo: Fujimori, ex-presidente que depredou os já não estáveis cofres do país, teve negado seu direito de disputar cargo político no Japão, seu país de origem. A decisão final ainda não foi dada mas hoje o corte japonesa deu um sinal claro de rejeição ao pedido de Fujimori. Os peruanos, é claro, vibraram. A terceira grande comemoração do dia veio ao fim do jogo entre Peru e Uruguai: 3x0 Peru. Decretado o placar, me juraram, cheios de estima, goleada quando enfrentassem o Brasil, direito deles, já que o dia todo foi cheio de boas vibrações. Às 22h Maria Angola cantou de novo, ressoando seus badalares pela região altiplana do Peru e anunciando o fim de um dia cheio de conquistas. Como sempre, a noite chegou fria, gélida, mas o sol que apareceu de manhã ainda brilhava forte dentro dos peruanos.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Cusco 04
O Sol apareceu sem qualquer cerimônia na manhã de hoje. Nas ruas, passos retos e acelerados nas sinuosas ruelas do bairro de San Blas. Do alto da torre direita da Catedral, Maria Angola, a maior e mais antiga das campanas, cantava, às 10h, na única língua comum entre todos peruanos. “O dia já começara bem” lembrei mais tarde, quando o astro já se escondia entre as montanhas que abraçam Cusco. Durante o almoço percebo uma movimentação na pequena praça em frente a Igreja de San Francisco: um grande número de pessoas, a maioria de origem quéchua, comemorava a resolução que institui a obrigatoriedade do ensino da língua quéchua nas escolas. Na TV o destaque não foi grande mas nas ruas percebia-se a importância da vitória. Os quéchua são a maioria indígena do país e a medida não é só um passo para unir algumas diferenças é, também, uma forma de prestar uma necessária homenagem à riqueza desta cultura. Há alguns anos algumas das ruas de Cusco, que tinham nome em espanhol, receberam novos nomes, em quéchua, como início deste processo de resgate. Pouco mais tarde, depois da siesta, o orgulho peruano recebeu outra injeção de ânimo: Fujimori, ex-presidente que depredou os já não estáveis cofres do país, teve negado seu direito de disputar cargo político no Japão, seu país de origem. A decisão final ainda não foi dada mas hoje o corte japonesa deu um sinal claro de rejeição ao pedido de Fujimori. Os peruanos, é claro, vibraram. A terceira grande comemoração do dia veio ao fim do jogo entre Peru e Uruguai: 3x0 Peru. Decretado o placar, me juraram, cheios de estima, goleada quando enfrentassem o Brasil, direito deles, já que o dia todo foi cheio de boas vibrações. Às 22h Maria Angola cantou de novo, ressoando seus badalares pela região altiplana do Peru e anunciando o fim de um dia cheio de conquistas. Como sempre, a noite chegou fria, gélida, mas o sol que apareceu de manhã ainda brilhava forte dentro dos peruanos.