Em 1911 um americano “descobriu” o que alguns quéchua que ali viviam já diziam conhecer: a cidade de Machu Picchu. Uma enorme expedição teve então início e foram descobertas outras ruínas além de uma trilha, a Trilha Inca. Hiram Bingham, que na verdade estava inicialmente interessado em estudar a topografia do país e seus ossos pré-históricos, apresentou a cidade ao mundo na publicação da National Geografic de 1913, pois além de sortudo era muito bom fotógrafo. Desde então a cidade perdida virou fetiche de viagem para muitos e um complexo campo de estudo para outros.
Acredita-se que a cidade tenha sido construída, habitada e abandonada em menos de 100 anos (a mais de 500 anos atrás). São 200 estruturas de casas e por esta razão estimam ter vivido aqui cerca de 1000 pessoas. Pachacuteq, o responsável pela ascensão do Império Inca, teria construído Machu Picchu - a 2.491 metros de altura – pouco antes da invasão espanhola e a abandonado pouco depois. Os europeus não souberam do local e isso diz muito sobre o porque do incrível bom estado de conservação da cidade.
A cidade é dividida em duas partes. Na agrícola vemos terraços que serviam para o plantio (isso que parecem grandes degraus – ver fotos) que além de ser uma solução muito inteligente tem também uma idéia estética bastante apurada. Arqueólogos estudam as camadas deste solo na expectativa de descobrir o que crescia ali. Tudo aponta que a maíz (milho) era cultivada nestes terraços. Na parte urbana, ruas e casas edificadas sobre imensas pedras - que absorvem o impacto de abalos sísmicos – chamam a atenção pela perfeição dos encaixes que desenham uma cidade de aparência bem planejada. As ruas de Machu Picchu nos levam a uma inevitável pergunta: como eles trouxeram tantas pedras enormes até aqui? Sabe-se muito pouco sobre a origem e funcionalidade de Machu Picchu. Uns dizem ter sido o centro administrativo do império Tawantinsuyu (Império dos quatro cantos), outros o centro religioso e alguns obra de extraterrestres, como, “reforçam” eles o argumento, as linhas de Nazca, há poucas horas daqui. O certo é que toda esta falta de informação mais sólida faz com que o cenário seja perfeito para a confusão de sensações que a cidade imprime.
As três maneiras mais usadas para chegar a cidade perdida.
1 – Trem. Partem de Cusco e variam de preço, média entre 100 e 300 dólares ida e volta.
2 – Partindo de ônibus de Cusco até Santa Maria (viagem de 7 horas) e de lá uma van para Santa Tereza (+ 3 ou 4 horas numa estrada tipo precipício), de onde se caminha para chegar a Águas Calientes (caminhada de 3 a 5 horas) para, no dia seguinte, subir a Machu Picchu. 3 – A clássica trilha Inca, com variações de 2 a 5 dias de farta caminhada.
Há planos para a construção de um teleférico em Machu Picchu. O projeto é antigo e bastante polêmico mas o argumento da UNESCO (que em 1983 declarou a cidade patrimônio Cultural e Natural da Humanidade) de que a inovação ajudaria na preservação do patrimônio dá cada vez mais força aos idealizadores. Com isso espera-se um número ainda maior de visitantes diários, que passariam a ter acesso à cidade pela parte de trás, onde há uma central termoelétrica, decongestionando assim a rota atual.
E aí, se anima?
“Sair de viagem é sentir-se como no descontrolado momento em que surge o orgasmo” Rafo Leon, escritor peruano.