

Mais uma vez despeço-me de Cusco a duras penas. Enquanto risadas vindas da sala invadem meu quarto pelas brechas da porta, minha mochila (re)toma forma ao passo que alojo as minhas tralhas. Agora é só “juntar lembranças para os dias que virão”. No lap top, Mundo Livre S.A.. Na minha cabeça, quase um mês e meio de “turismo vivencial”. Rafo usou este termo para definir a minha passagem por aqui numa noite em que fomos ao aniversário de uma amiga dele. Neste dia eu tive a noção do valor dos laços que criei aqui, ganhei inclusive a primeira fatia do bolo. Os cusquenhos gostam de receber as pessoas, essa é a minha conclusão. Não falo sobre os que oferecem serviços turísticos, hoteleiros ou gastronômicos, sim do povo, o cusquenho que tem vida social, que enjoa da quantidade de estrangeiros que se esparramam diariamente pela principal praça da cidade mas dão toda a atenção quando um deles vai às suas casas, convidados para celebrar uma ocasião qualquer. Além do aniversário da Vanessa eu participei de outros encontros, quase sempre da mesma mancha (galera), onde sempre me senti em casa, isto é, quando o álcool me permitia sentir alguma coisa. Conhecer inúmeros estrangeiros também foi mais uma vez bacana. O freqüente entra e sai de mochileiros aqui no hostal me rendeu muitas lembranças. São muitos os e-mails anotados na esperança de um possível reencontro.
- Já sabe, quando for ao meu país me escreva!!!
- Claro que sim. Manteremos contato. Sentirei a sua falta.
E assim com todos. As chances de um segundo encontro são baixas mas o que importa mesmo e folhear cada um dos e-mails e ver o quanto se ampliou o seu circulo de amizades. Ah, Cusco. Sentirei falta do frio, dos sucos no mercado popular, do Rum com Coca-Cola, das algazarras em San Blas, do Reggaetom, do colorido, da voz da Maria Angola, do Ceviche (prato nacional), das noites vendo DVD com o povo, das sopas, das pessoas, do blog. Amanhã levo minha nostalgia para Puno. Na primeira vez achei que estava me despedindo, triste, de Cusco, sem saber que voltaria em breve. Oxalá desta vez aconteça o mesmo.