terça-feira, 10 de julho de 2007
















Uma ilha chamada Cusco

Hoje lembrei-me da minha tia que, sempre que algo some dentro de casa, diz “ninguém entra, ninguém sai”. Assim está Cusco. Mas aqui o que foi perdido (bem como em todo o resto do país e no Brasil) requer muito mais que uma procura, pede greve. Os professores fecharam todas as vias de acesso terrestre a Cusco, reinvidicando condições justas de trabalho, melhores salários e mais apoio a educação por parte do Estado. Isso levou muitos viajantes com passagem marcada a retornar a suas hospedagens, as empresas de transporte à loucura, os produtores e caminhoneiros ao prejuízo e o governo a nada, uma vez que a maior preocupação ainda parece ser lamentar a precoce(?) desclassificação da Copa América. O terminal rodoviário me fez sentir no Brasil: longas filas e pessoas revoltadas sem saber o que fazer à espera de seus vôos - ônibus, neste caso. Mas toda moeda tem dois lados, e com o sol (moeda peruana) não é diferente. Ao passo que as empresas de transporte e os produtores perdem (pero no mucho) o turismo ganha. Algumas pessoas não puderam voltar a suas hospedagens - já que estas foram ocupadas por outros - e com isso o giro no ramo hoteleiro aumenta. O momento é bem propício para que ignorem (mais) a voz dos professores, pois Machu Picchu acaba de ser justamente reconhecida (pela máfia do turismo?) como uma das sete maravilhas e, de donos de restaurantes a donos de hotéis, passando por taxistas e lojistas, a ansiedade para o garantido aumento da receita não é disfarçada. A Alcade (algo como prefeita) de Cusco está em Lisboa por ocasião da entrega dos resultados das 7 maravilhas e nada pode fazer para conter a situação. A estadia dela na cidade tampouco asseguraria uma atitude de repugnio aos bloqueios. Os cusquenhos não se mostram muito entusiasmados com ela que, entre outros deslizes, viajou a Portugal sem a autorização dos conselheiros da cidade num momento em que devia apresentar aos mesmos o balanço da sua administração atual. Disso tudo fica uma lição: diferente do que ensinam as cartilhas escolares, para o turismo de Cusco 2+2=5.